De Jogos Vorazes a 1984, a ficção talvez tenha mais a dizer
sobre nossas eleições do que imaginamos.
Eu gosto de distopias porque elas fazem a gente olhar para a sociedade de outro jeito. Mas, às vezes, fico pensando se precisamos imaginar um futuro terrível para perceber problemas que já existem no presente.
Em Jogos Vorazes, a Capital concentra a riqueza enquanto os distritos trabalham para sustentar o sistema. Em 1984, Orwell mostra como controlar a informação pode significar controlar a maneira como as pessoas enxergam o mundo. Já em Admirável Mundo Novo, o entretenimento ajuda a manter a sociedade acomodada.
O que essas histórias têm a ver com nossas eleições?
Olhe para as redes sociais: notícias falsas, discursos inflamados e brigas entre quem defende políticos diferentes. Enquanto discutimos quem está certo, problemas como salários, transporte, emprego e custo de vida continuam afetando a classe trabalhadora.
Isso não significa que todos os políticos sejam iguais ou que exista uma conspiração por trás de tudo. Significa que precisamos questionar quem se beneficia dessas discussões e, principalmente, quais problemas deixam de receber atenção.
Em Divergente e O Conto da Aia, também encontramos sociedades que limitam as pessoas por meio de estruturas de poder. A ficção exagera, provoca e nos faz pensar — justamente por isso, vale olhar para além da história.
Não quero dizer em quem você deve votar ou qual lado deve defender. Quero propor algo mais simples: questione todos os lados, inclusive aquele com o qual você concorda.
Afinal, de que adianta vencer uma discussão política na internet se os problemas reais continuam esperando por soluções?
Será que estamos escolhendo conscientemente o rumo da sociedade ou apenas reagindo ao que políticos e algoritmos colocam diante de nós?













